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APOSTAS PARA O OSCAR - 2012

Uma noite sem grandes expectativas e, provavelmente, sem grandes surpresas. É certo que uma espécie de “morgação” toma conta de grande parte dos críticos e de cinéfilos em relação à 84º edição do prêmio mais cobiçado do cinema. O motivo? A fraca lista de 9 indicados à melhor filme. Se ano passado tínhamos uma disputa acirrada entre “A Rede Social” e “O Discurso do Rei”, em 2012, fica difícil encontrar um páreo para o não tão especial “O Artista”, que deve se consagrar na noite de hoje.

Filmes fortíssimos como “Cisne Negro”, “A Origem”, “Bravura Indômita”, dão lugar a filmes apenas “ok”. Não existe um grande filme. Alguns se destacam, meus preferidos: “Árvore da Vida”, “A Invenção de Hugo Cabret” e “Os Descendentes”, mas devem correr por fora. Fica a insatisfação pela ausência de nomes como ágil “Tudo pelo Poder”, o brilhante “Homens que Não Amavam as Mulheres” e até o ousado “A Pele que Habito”.

No que isso deve dar…

FILME
favorito: “O Artista”
possível: “A Invenção de Hugo Cabret”
pessoal: “Árvore da Vida”

DIREÇÃO
favorito: “O Artista”
possível: ” Invenção de Hugo Cabret”
pessoal: “Árvore da Vida”

É comum o Oscar distribuir os prêmios de melhor filme e melhor direção, mais como uma forma de não injustiçar o trabalho de grandes filmes. Ainda que o diretor seja o principal responsável pela realização do filme, sendo este o fruto da direção, não seria grande surpresa se esses dois prêmios estivessem em mãos diferentes nesta noite.

ATOR
favorito: “O Artista”
possível: “Os Descendentes”
pessoal: qualquer um dos dois

ATRIZ
favorito/possível/pessoal:Viola Davis(Histórias Cruzadas) X Maryl Streep(A Dama de Ferro)
*correndo por fora, mas sempre com chances, Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn) 

ATOR COADJUVANTE
favorito: “Todas as Formas de Amor”
possível: “Tão Forte Tão Perto”

ATRIZ COADJUVANTE
favorito: “Histórias Cruzadas”
possível: “O Artista”

ROTEIRO ORIGINAL
favorito: Meia Noite em Paris
possível: “O Artista”
pessoal: “Meia Noite em Paris”

ROTEIRO ADAPTADO
favorito: “Os Descendentes”
possível:”O Homem que Mudou o Jogo”
pessoal: “Os Descendentes”

TRILHA SONORA
favorito: “O Artista”
pessoal: “O Espião que sabia demais”

FOTOGRAFIA
 Uma disputa acirrada, sem favoritismo, mas cujo prêmio não deve escapar de “A Invenção de Hugo Cabret”, “Árvore da Vida” ou “O Artista”.

ANIMAÇÃO
 Com o forte Tim-Tim de fora, o prêmio deve ficar mesmo com “Rango”. 

CATEGORIAS TÉCNICAS
Os prêmios de som, edição de som, edição, direção de arte e figurino devem se distribuir entre “O Artista” e “A Invenção de Hugo Cabret”, apesar de achar que o prêmio de Montagem (Edição) deveria ir para o bolso de “Homens que não amavam as mulheres”. 

Agora, é só esperar!

OS DESCENDENTES // crítica

Alexander Payne acerta mais uma vez com um trabalho que revela maturidade e sensibilidade. O diretor que conquistou a crítica e o público com o divertido e profundo “Sideways – Entre Umas e Outras” está de volta às telonas e, mais uma vez, seu protagonista é um homem em crise. Dessa vez, a interpretação ficou por conta de George Clooney.

Uma análise bastante interessante pode ser feita sob uma visão comparativa dos últimos filmes de Payne. Tanto em Confissões de Schmidt , como em Sideways e também em Os Descendentes, podemos acompanhar como protagonista um homem em crise. A complexidade e leveza de seus personagens renderam, nos três casos, indicações ao Oscar de melhor ator: Jack Nicholson, Paul Giamatti e George Clooney, respectivamente. Da mesma forma, os três longas foram indicados ao mesmo prêmio na categoria de Melhor Roteiro. Assim, ficam evidentes dois pontos fortes dos filmes desse diretor: atuação e roteiro.

Forte candidato ao Oscar desse ano (um dos indicados a Melhor Filme), Os Descendentes não é uma exceção. George Clooney interpreta um homem que vive o desafio de se relacionar com as duas filhas (uma com 17, a outra com 10 anos) após sua mulher sofrer um acidente que a deixa em coma, enquanto os médicos garantem que ela não acordará mais. Para agravar a situação, ele descobre que estava sendo traído pela esposa e que ela pretendia deixá-lo. Em meio à turbulência emocional, ele ainda tem que se decidir quanto à venda de terras herdadas de seus antepassados. A atuação de George Clooney é sublime! É possível enxergar em seus olhos o desespero e a angústia, contidos e na dose certa. Talvez uma atuação tão excelente ou até superior àquela que o rendeu o Oscar, em Syriana.

A direção de Alexander Payne é precisa! Ele consegue extrair de cada cena tudo o que ela tem para oferecer. A maneira que o choro da filha mais velha é sufocado por um mergulho na piscina, a corrida desesperada de Clooney quando descobre da traição, até a cena final que parece mais um retrato em família, tudo tem um significado maior. Na verdade, podemos concluir que o filme é sobre a vida, a morte e o legado. As terras que o protagonista recebeu como legado através da morte de seus antepassados, que ele chega a dizer “o que eu fiz para merecer essas terras?”.. A traição que a esposa deixou com sua morte, o peso nos seus ombros e, novamente: o que ele fez para merecer isso? Legado. Morte. Vida. Um filme que deve ser assistido mais uma vez e que parece mais um poço inesgotável de risadas e lágrimas, sem que nada seja exagerado demais.

Nota: 8,0

MILLENIUM: HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES // crítica

David Fincher. O que dizer daquele que se consagrou como um dos melhores diretores da atualidade? Com a ousadia e originalidade de Clube da Luta, com a frieza e o brilhantismo de Seven, com a obsessão pela verdade de Zodíaco, a habilidade narrativa de O Curioso Caso de Benjamin Button e a descrição emblemática de A Rede Social… A genialidade deste raro e talentoso cineasta assim como todas as suas características citadas podem ser observadas em seu mais novo trabalho.

Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é a versão hollywoodiana para o livro de Stieg Larsson (primeiro de uma trilogia) e que já havia virado filme recentemente, uma produção sueca que teve o reconhecimento da crítica. Para Fincher, não foi tão difícil superar o original em qualidade, conteúdo e perfeição técnica. O desaparecimento de uma herdeira, um mistério não resolvido há 40 anos. Um jornalista falido e uma hacker inteligente e sombria encaram corrupção, violência e uma série de assassinatos.

O roteiro é fantástico e a direção permite que ele seja executado de maneira suprema. Enquanto a história é contada, em nenhum momento existe perda do foco. É possível perceber que descobrir quem é o responsável pelos assassinatos ou o motivo não é o que mais importa, já que após tal descoberta ainda restam aproximadamente 40 minutos de projeção. Com habilidade, o filme consegue se manter na primeira parte mostrando os protagonistas seguindo seus caminhos independentemente e nos levar, atentos, para a segunda parte, em que os dois se unem em seus objetivos e percursos. A relação de confiança que se estabelece entre Lisbeth (Rooney Mara) e Mikael (o James Bond, Daniel Craig) é forjada, ao invés de forçada. O público compreende e adentra nesse universo.

Rooney Mara está fantástica como Lisbeth Salander. Podemos até dizer que o filme está centrado na sua peculiar personalidade. A tímida e “certinha” namorada de Mark Zuckerberg em A Rede Social ganha uma dimensão extrordinária sob os olhos de David. Ela se torna a heroína incomum que cativa e amedronta o público desde a primeira cena.

A fotografia sombria e dotada de frieza transpõe para o visual a temática do filme e o gélido inverno sueco. As tomadas que retratam acontecimentos do passado são de uma qualidade fotográfica de encher os olhos. O som também contribui bastante. A trilha sonora isolada já seria suficiente para deixar o espectador tenso e em agonia. Como nos demais filmes de Fincher, a edição se sobressai e é, talvez, o ponto forte do filme. Aliada à mixagem de som, o clímax se mantém ao longo de toda a projeção.

Além da censura, o que deve afastar uma parcela do público das salas de cinema é a temática dura e o “peso” do filme. Como o título nacional já sugere, a violência está presente sem ressalvas e cenas brutais como as de estupro fazem parte da trama. Ao final, fica a certeza de que David Fincher acertou mais uma vez e que ninguém melhor que ele pra retratar temas tão difíceis. Num ano de fracas produções, com umas das listas mais fracas dos últimos anos do Oscar e vencendo alguns preconceitos e tabus, podemos considerar este como um dos melhores filmes do ano, sem pensar mais de uma vez.

Nota: 8,5

MISSÃO IMPOSSÍVEL 4 // crítica

É difícil escutar a tão famosa trilha sonora de introdução à série sem pelo menos se ajustar na poltrona e se preparar ansiosamente para mais um episódio, que provavelmente corresponderá às expectativas. É assim que Missão Impossível: Protocolo Fantasma estréia nessa quarta-feira, com uma reputação ainda inabalada ao longo da série e contando com um público faminto por mais umas doses intensas de ação.

Dessa vez, o agente Ethan Hunt é resgatado de uma prisão russa e convocado pela IMF para roubar códigos secretos do interior do Kremlin para impedir um ataque terrorista à antiga União Soviética. O plano não sai como esperado e uma explosão gigantesca no local coloca a agência secreta de Ethan como culpada pelo episódio. Assim, os agentes passam a ser procurados como terroristas enquanto engatam a missão (não impossível, para Ethan Hunt) de encontrar os verdadeiros culpados.

De Moscou, Budapeste, Dubai, Bombain até à conclusão, nos Estados Unidos, o filme é recheado de cenas de ação que fazem juz à série e que se superam consecutivamente ao longo da projeção. Alguns pontos merecem ser destacados. Podemos encontrar em “Protocolo Fantasma” o humor que não estava presente nos episódios anteriores. Diferente daquele excesso de piadas que revelam certo desespero de agradar ao público, como o presente em “Transformes”, os momentos que nos fazem rir, em M:I:4, servem para aliviar a tensão que carrega o filme.

Outro mérito do longa é se livrar ao máximo dos clichês e até mesmo dos elementos surpresa que estavam presentes em todos os três filmes. Não há necessidade de criar um relacionamento amoroso dentro da equipe e o roteiro respeitou tal fato. Ao invés disto, o que temos é uma carga emocional que envolve o passado de Ethan e à morte de sua mulher. Desse modo, nenhum personagem está lá por acaso. Todos têm uma importância ímpar para a construção da trama. Mais um exemplo de “fuga do de sempre” é a ausência de tantas revelações surpreendentes envolvendo as famosas máscaras, como nos outros - pra quem acompanha a série, deve ter sentido tal desgaste já no segundo filme. O interessante é que os agentes ainda fazem piada com isso.

Coordenando um elenco de primeira, que traz de volta Tom Cruise, acompanhado de Jeremy Renner, Pauta Patton e Simon Pegg, o diretor Brad Bird se torna uma agradável surpresa. Premiado com dois Oscar, graças às animações “Os Incríveis” e “Ratatouli”, podemos dizer que é ele a maior aposta do longa. Com a engenhosidade e perfeição de técnica exigida nos desenhos animados, Bird cria sequencias de tirar o fôlego e de deixar todos grudados na poltrona.

O saldo final é positivo. “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” funciona como um bom filme de ação, mas sem grandes surpresas. Mantém o nível da série, apesar de o terceiro filme da franquia ainda ser meu predileto. É um filme que não pode ser ignorado enquanto estiver em cartaz, então não faça a bobagem de perdê-lo nas telonas. No fim, como o próprio agente Ethan Hunt coloca, a sensação é de missão cumprida!

Nota: 7,0

Em Quero Matar Meu Chefe, três amigos (Jason Bateman, Charlie Day e Jason Sudeikis) frustrados profissionalmente decidem que a única solução para suas vidas é matar seus chefes (Colin Farrell, Kevin Spacey Jennifer Aniston). Estréia 5 de agosto nos cinemas brasileiros.

QUALQUER GATO VIRA LATA // crítica

Se as pratileiras das locadoras já estão supersaturadas com as comédias clichêlicas de Hollywood, por que não enchê-las de clichês nacionais? Diferentemente do último exemplo, talvez o fato de chamarmos um filme nacional de “repetido” seja positivo, um reflexo do fato de estarmos assistindo a vários. E assim, chegam de todos os lados: Cidade de Deus, dos Homens, de mais o que? A violência ganha força, ganha público.

Enquanto isso, surge no cinema brasileiro um novo estilo de filmes: em vez de uma cópia de outros nacionais, ocorre uma importação de gêneros batidos no cinema americano. E, claro, o mais atingido: a comédia! Filmes como “Se Eu Fosse Você”, “De Pernas Pro Ar” e o mais recente “Qualquer Gato Vira Lata” aparecem com uma forte conotação estrangeira. E no aspecto comédia = risadas chegam a funcionar!

Na trama, baseada na peça de Juca Oliveira, Tati (Cleo Pires) é a namorada apaixonada por Marcelo (Dudu Azevedo). Acontece que ela vive se arrastando e fazendo tudo por ele, enquanto ele trata ela como um objeto de distração. Após levar um fora de Marcelo e perder quase todas as lágrimas, ela conhece Conrado (Malvino Salvador), um professor de Biologia que tem uma tese sobre homens e mulheres, baseada no comportamento animal. Para ele, as mulheres devem “ficar na sua” enquanto os homens “tomam a iniciativa”, totalmente o oposto do que Tati pensa e faz.

Sem ter a quem recorrer, Tati decide ser a aluna de Conrado, para reconquistar Marcelo. Para Conrado, ela é sua chance ímpar de obter a liberação para publicar sua tese.

Voltamos então para o início dessa resenha e podemos concluir: Seguindo a mesma fórmula das comédias românticas americanas, o roteiro se faz fiel e não foge de nenhum clichê, evita situações que fujam do previsível - agarra-se a ele. Acontece que “Qualquer Gato Vira Lata” parece mais a versão brasileira para “A Verdade Nua e Crua”. E se o americano não é original, quem dirá o brasileiro? O que salva o filme, então? Resposta: Aquilo que já nos acostumamos a ver no cinema americano, para nós se torna novidade: são os atores das novelas das 8 que estão lá e não Ashton Kutcher e Cameron Diaz! Dentro de toda previsibilidade existe ainda a inusitada situação nacional!

Assim, apesar de algumas falhas estruturais e técnicas (a música errada na hora errada, por exemplo), o filme diverte e garante boas risadas. O roteiro demora de mais para emplacar no que realmente importa, o filme demora a ficar “bonzinho” e engraçado, mas quando o faz é bem sucedido. Algumas cenas como a conversa no telefone, com cortes nas câmeras entre o trio principal, e a parte final farão o público sucumbir aos risos.

Finalizando, se você está à procura de algo sério ou conteudista passe longe desse filme. Mas, na busca por uma diversão fácil, rápida e que não exija uns neurônios a mais, esta é a pedida certa! 

Nota: 5,5

DESCONHECIDO (estréia da semana) // crítica

O uso de flashbacks como agente transformador do roteiro de um filme é no mínimo perigoso. No novo filme protagonizado por Liam Neeson, os flashbacks tornam-se repetitivos e convenientes demais. Esse é apenas um dos elementos que faz de “Desconhecido” um filme lamentável.

Martim Harris viaja com sua esposa à Berlim. Logo após se hospedarem no hotel, ele retorna ao aeroporto para recuperar uma maleta que esqueceu. No percurso do taxi, Martim sofre um acidente e ao acordar de um estado de coma 3 dias depois, descobre que sua esposa não o reconhece, enquanto outro homem está assumindo sua identidade. Sendo ignorado por todos e na mira de assassinos, Martim recorre à Gina, a taxista que o ajudará a provar que ele não está louco. Perguntas se erguem: quem iria querer tomar a identidade de Martim Harris e por quê?

Um filme que aparentemente seria mais uma ação acrescida de Liam Neeson, que tem seu personagem bastante semelhante àquele em “Busca Implacável”, sugerindo pancadas, tensão e um ritmo frenético: em todos os aspectos o longa se faz insuficiente, ficando abaixo do esperado até para um filme cujo objetivo é o entretenimento.

Quase um terço do filme se perde na sugestão do óbvio. O tempo gasto para mostrar a situação de não ser reconhecido pelas outras pessoas é excedente. A trama demora pra sair do ponto inicial e gera descrença por parte do público.

As atuações quadradas e frias não funcionam e entregam as verdadeiras intenções dos personagens que deveriam ser implícitas. Se há alguém que se salva este é o ex-militar que Martim procura para investigar sua situação. O velhinho é carismático e cativante, arranca a atenção do público em todas as suas participações.

À medida que o roteiro se revela, novamente através dos oportunistas flashes, o filme declina sem piedade. Até que ao final, o que seria um elemento surpresa sela de vez o fracasso do filme. Evitando ao máximo spoilers, o final é absurdamente precário. A explicação do roteiro para a trama, com pinta de inteligente e com uma falsa imprevisibilidade, gera indignação. Os espaços vazios cujo roteiro não se preocupa em mascarar tornam-se evidentes.

Por fim, este é um filme que permanece no lugar comum e quase foge para um lugar pior. Mas as cenas e seqüencias de ação são carregadas de tensão e são bem editadas e envolventes, pena que são poucas. Funciona como entretenimento e bom passa-tempo, mas referir-se a “Desconhecido” como um “bourne velho” é um exagerado elogio e uma notável ofensa à excelente trilogia Bourne. Assistam.. ou não: diferença não fará. O filme rapidamente cairá no esquecimento, fará juz ao título.

Nota: 5,0

JOGO DE PODER (estréia da semana) // crítica

Os filmes americanos têm apresentado uma irônica mudança de padrão. Se antes os longas eram caracterizados pela exaltação nacionalista ao “imbatível” Estados Unidos, uma quantidade significativa de produções têm focado, através um olhar crítico justamente as falhas, as crises, os problemas e a malícia que antes eram escondidas sob um manto de heroísmo. Para certo descontentamento, esse cinema acusador, cru e auto-analista ainda não alcançou um nível considerável de transparência para com o público.

A melhor maneira de se exemplificar o que foi abordado no parágrafo acima é a citação ao tema “guerra no Iraque”. Filmes como Zona Verde, Leões e Cordeiros e o recente vencedor do Oscar, Guerra ao Terror, se baseiam no mesmo tema e se afastam do estilo ufanista de outros como O Patriota e Nascido em 4 de Julho. Nesse contexto, surge Jogo de Poder, que poderia ser mais um, se não fosse o referente tópico que o torna, no mínimo, interessante.

O filme narra o episódio verídico e mundialmente conhecido que envolveu o casal Valerie Plame e Joseph Wilson, interpretados respectivamente por Naomi Watts e Sean Pen. Logo no início da projeção, Valerie é apresentada, num escritório de uma suposta agência de inteligência internacional. Tomadas rápidas e a personagem já está em uma suposta missão, pouco depois, aborda um árabe em seu carro, no meio da estrada, essa sequência custa apenas aproximados 5min, o que caracteriza a primeira metade do longa: a edição trabalha muito rapidamente e, junto com o roteiro, dificulta o entendimento do espectador, que passa boa parte do filme perdido.

Mais tarde, fica claro que Valerie Plame trabalha para CIA e está numa importante missão no Oriente Médio, no perído de 2001 a 2003.  Para estudar a possibilidade de produção de urânio para bombas nucleares por parte do Níger, seu marido, Joseph Wilson, ex-embaixador, é enviado ao país. Após uma análise, ele retorna e deixa claro em seu relatório a CIA: nenhum registro de produção de armas nucleares, segundo ele isso seria impossível.

Para surpresa do casal, algumas semanas depois, o presidente Bush anuncia na TV que os EUA estariam em guerra no Oriente Médio e cita evidências da manutenção de armas nucleares, baseado no relatório de Joseph Wilson, como principal motivo da posição de ataque dos americanos. Wilson vai à mídia e entra numa luta contra o Estado, aí que o mundo do casal desaba: a identidade de Valerie é revelada como agente da CIA para o mundo inteiro, sendo excluída da agência e passando a correr risco de vida.

O filme começa fraco e peca na sua primeira metade pela maneira com que expõe inúmeros dados e informações que não serão bem absorvidas pelo espectador. Na segunda metade, o filme muda completamente: o foco passa a ser as relações entre os personagens, os sentimentos, assim – outro erro – o filme abandona todo o conteúdo da primeira. Esse é um fator subtrativo no longa, falta uma boa dosagem dos bons elementos apresentados. Sendo ainda otimista, numa média aritmética, este é um filme que se faz valer à pena, que ousa nas sutis acusações ao Estado americano. Em seu desfecho, o longa sabe encerrar impactando o espectador e o levando à uma reflexão maior, relembrando-o de que aquilo realmente aconteceu.

Nota: 7,0

OSCAR 2011 - APOSTAS FINAIS

Então, antes que a expectativa se materialize, vale à pena dá uma última palavra. Aqui estão, sob minha opnião, os candidatos mais prováveis a faturarem os prêmios:

FILME: O DISCURSO DO REI (ou A REDE SOCIAL)
DIREÇÃO: O DISCURSO DO REI (ou A REDE SOCIAL)
ROTEIRO ORIGINAL: A ORIGEM (ou O DISCURSO DO REI)
ROTEIRO ADAPTADO: A REDE SOCIAL
ANIMAÇÃO: TOY STORY 3
ATOR: O DISCURSO DO REI
ATRIZ: CISNE NEGRO
ATOR COADJUVANTE: O VENCEDOR
ATRIZ COADJUVANTE: O VENCEDOR
EDIÇÃO: A REDE SOCIAL (ou 127 HORAS)
FOTOGRAFIA: BRAVURA INDÔMITA, A ORIGEM, O DISCURSO DO REI, A REDE SOCIAL (qualquer um é bem vindo!)
EDIÇÃO DE SOM: A ORIGEM
SOM: A ORIGEM
EFEITOS VISUAIS: A ORIGEM
TRILHA SONORA: A REDE SOCIAL ou O DISCURSO DO REI
DOCUMENTÁRIO: TRABALHO INTERNO
DIREÇÃO DE ARTE: O DISCURSO DO REI
FIGURINO: O DISCURSO DO REI
FILME ESTRANGEIRO: BIUTIFUL (ou EM UM MUNDO MELHOR) 

Aqui estão os palpites finais, mas nesse zoo sempre tem espaço para zebras. Que vença o melhor!

OSCAR 2011 - FAVORITISMOS & ZEBRAS

 Então, é chegada a hora! As apostas, especulações e expectativas são filtradas e afuniladas. Agora, mais precisas, são retomadas por uma última vez antes da premiação, que acontecerá no dia 27 de fevereiro (domingo).

Vamos aos indicados! E mais uma vez, com a intenção de aumentar a audiência da cerimônia e de levar mais pessoas aos cinemas, o número de indicados ao prêmio principal é 10, em vez dos 5 rotineiros.

Todos pararam para dar atenção àquele que pode ser considerado o filme do ano, “A Rede Social” de David Fincher, foi um sucesso de crítica e de público e havia chegado nesta reta final como favorito, não que o Globo de Ouro de Melhor Filme tenha grande contribuição. E tudo seguia o provável, até que “O Discurso Do Rei” tomou uma gigantesca ascensão, vencendo o prêmio dos sindicatos de diretores, de atores, e 7 prêmios no Bafta (o Oscar inglês).

O que se tem é um duelo entre dois poderosos homens: um deles, Rei por herança; seu maior inimigo, a gagueira. O outro, se fez Rei, por mérito, de um mundo virtual; seu inimigo, o mundo real e o isolamento. George VI ou Mark Zuckerberg? Qualquer um dos dois filmes terá sido bem premiado. Apesar de O Discurso não ter a ousadia de A Rede, ele é mais - vamos dizer assim - encorajador, didático, mais “Oscar”.

Se o páreo está acirrado, um terceiro filme ainda é apontado: Bravura Indômita pode surpreender. Se não fossem as premiações recentes de Jeff Bridges (melhor ator ano passado, indicado também este ano) e de Joel e Ethan Coen (há dois anos, por “Onde Os Fracos Não Têm Vez), a história poderia ser diferente.

Entre as atuações, o favoritismo de Colin Firth pela ga..ga..gagueira do Rei George pode ser superado por Jeff Bridges, zebras à parte. Como ator coadjuvante, Cristian Bale já está praticamente segurando o Oscar pelo filme “O Vencedor”, mas logo atrás dele está Geofrey Rush, representando O Discurso e ainda vivo na disputa.

Na parte feminina, as vencedoras também já estão praticamente definidas: Natalie Portman, por “Cisne Negro”, deve ganhar na categoria principal. Como coadjuvante, se espera Melissa Leo, por “O Vencedor”.

Quanto aos roteiros, “A Origem” é o favorito na categoria de roteiro original, concorrendo com o forte “O Discurso do Rei”. Na categoria de roteiro adaptado, “A Rede Social” deve ser premiado, apesar do também considerado forte, “Toy Story 3”, que já tem quase que obviamente o prêmio de Melhor Animação. 

Que comece o espetáculo!